De volta do Mundo

Vejo cada vez mais o “ventre” do mundo, para dentro dos olhos, seu esqueleto, suas entranhas… com sua contra-lógica, suas disparidades, coisas que me constragem a humanidade. Sinto as dores do mundo, porque sou o mundo – certeza que obtive através da consternação psicológica e da reflexão. Cada vez mais me estarreço: os meninos não foram gerados para serem mortos aos 15, nem as meninas, para serem abusadas como meros objetos do consumo insano, sem se ater de que caminham na direção do abismo excludente. Cada vez mais meus gestos são catárticos, minhas falas são cheias de obstinação e piedade, em controverso; mas são as pedras com que fomento meus próprios caminhos… E vou quase só, tateando as pontas de dedos que se me estendem: meias mãos, meias palavras, meias humanidades… lanço gravetos nestas chamas frias que não queimam nada, não iluminam nada! Onde está o Homem?! Onde estão as Mulheres, que subverteram a antiga opressão em uma falsa forma de liberdade ainda mais sutilmente opressora?! Onde estão, que não levantam o clamor de seus filhos pobres, filhos aos quais se nega o futuro?! Vejo bruscamente a velocidade da História frear ante a curva do colapso: seremos cada vez mais “obrigados a assumir a liberdade”, e a fazer dela um distintivo da humanidade resisual em nós. Não podemos mais nos dar ao luxo da estética sem ética, do consumo antinatural, da opressão consentida… E sei que esse ar de desastre, antes de prenunciar o fim de tudo, é um impulso para a saída. Luto com toda pouca força que tenho, mas nunca me dirão covarde! Pois já reguei a árvore da vida no viés destas palavras!

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