Publicado em Domingo, 6 Julho, 2008 por Alessandri Adriano

Começo a amar o vinho desde a uva dependurada nos vinhais. Lá, enquanto as mãos humanas o manejam, replantam, podam, colhem e prensam… Nas parreiras mesmo já amo as uvas. Também venero assim a criança, quando ainda é semente no corpo da mulher; e amo a Mulher, por trazer em si todas as sementes, e que é para o homem tão essencial quanto a uva para os vinhos.

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Publicado em Domingo, 6 Julho, 2008 por Alessandri Adriano

-Senhor, milhares de vezes olho, e só vc vê!
Meu deus! Como me assusta um mundo que apenas venera o “belo”, o “novo” e o “caro”! Vivo preso a este casulo que aos poucos me desliga dessa pátria de futilidades. Dias vão e me cerceam o direito de “ser”, pois sempre estou menos “jovem”, menos “belo”, menos “caro”… Devo sufocar todos os meus valores!? É censurável a liberdade de pensamento sobre quaisquer juízos coletivamente cultuados? Que belo esse olhar! Que colheu bilhões de fótons, das paisagens mais e menos alegres. O homem é feito do choque entre o que vê, e o que pensa. Nunca matem o ímpeto de quem ama pensar e descobrir, e questionar… Talvez os inquietos pensadores só precisem de uma caminho mais longo, de um tempo mais solitário e profundo, para finalmente encontrar a mesma divindade.
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Publicado em Domingo, 6 Julho, 2008 por Alessandri Adriano
▒ “O Amor controverso, que induz a pegar em armas, que desaloja ditaduras e impõe outras, que inspira uma guerrilha de 56 homens a vencer um exército estatal de 10.000. O verdadeiro revolucionário é movido por um impulso passional, e a paixão gera seus equívocos, mas também brota seus frutos bons.
- Eu te perdôo, camarada Che, em nome do Amor. A quem ama, tudo se perdoa.

Ernesto Guevara, no sepultamento de operários mortos em uma explosão.
“Bem aventurados os que têm sede e fome de Justiça.” ▒
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Publicado em Domingo, 6 Julho, 2008 por Alessandri Adriano
O Comunismo Doutrinário morreu, no vazio de sua derrocada política. Mas ainda não se extinguiram os suplícios que inspiraram o movimento. Então fingem que não há fome, que há liberdade. “A liberdade é apenas uma cela mais espaçosa”.
▒ No geral, o amor causa uma dor silenciosa a quem tem o dever natural de cuidar mas não dispõe dos meios… O amor é mesmo um fardo no coração que enxerga a necessidade humana mas não lhe pode ir em socorro. Assim vive nossa gente, desprovida de voz e de força política:

Fotografia da Reuters mostrando uma mãe e seu filho em um centro de alimentação de emergência no Níger durante a recente crise de fome.
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Publicado em Sábado, 5 Julho, 2008 por Alessandri Adriano
▒ Há um tempo na vida, em que o pensamento já oprime. São centenas de livros, milhões de frases, de conjecturas. Milhares de conversas, relacionamentos, subsidiadas todos pela teorização típica de quem passa “morto” entre os vivos, e vive na poeira, nos fungos, nos olhares profundos sobre a ação humana. Está esse “material” por aí, marcado com ânsia, obcessão e sangue, nas páginas da vida.
Mas este é um “diário” secreto, porque não pretendo ser um “orador social” – quero esquecer-me do mundo, como abaixo estará posto, para tê-lo abarcado em mais largo ângulo de visão.
Como pois, dois caídos ao poço se ajudarão? Melhor o fará quem primeiramente alçar-se dali – à doída e fértil distância, de solidão, de quase “celibato”, de quase ascetismo e incompreensão.
O preço de guardar-se só, mesmo acompanhado, é a solidão em si; o ganho é um ego que se cultua merecidamente (e se renuncia, alheio aos holofotes da crítica barata); sem agredir os outros, sem vícios, e com possibilidades de agregar valor ao meio humano. ▒
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